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quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Boni engrossa coro dos descontentes com rumo da TV

Virou tendência? Depois do desabafo do Tevê Aberta, Daniel Filho lamentou o estado atual da tevê aberta brasileira e, mais recentemente, Boni fez o mesmo. Em entrevista para o colunista da Folha de S.Paulo Daniel Castro, o homem que por muito tempo foi chamado de o "todo-poderoso" da Globo avalia que as emissoras seguem modelo "esgotado". Abaixo, a íntegra.

Criador do chamado “padrão Globo de qualidade”, José Bonifácio de Oliveira, o Boni, diz que a TV aberta brasileira está perdendo audiência porque piorou nos últimos dez anos e segue um modelo de grade de programação que está “esgotado”. Admite, contudo, que é “difícil resolver” o problema.

“Aqui [no Brasil], os veículos se acomodaram, passaram a acreditar que é assim mesmo, que videogame e internet tiraram parte de suas audiências”, afirma. “Ninguém corre atrás de inovação, de qualidade, de pesquisa. Há apenas tentativas de se adivinhar o que o público quer. Falta ciência”, desabafa.

Para Boni, as pesquisas feitas pelas emissoras são convencionais e insuficientes. Precisam ser mais frequentes e melhor analisadas. “Pesquisa às vezes é para ser contrariada também”.
Boni diz que suas críticas são para todas as emissoras. “O problema é geral”, afirma.

O executivo, que deixou o comando da Globo em 1998, assiste hoje a uma televisão “engessada, enlatada”, que aposta nos mesmo formatos de sempre. “Além de “Big Brother Brasil”, nada de novo apareceu na televisão nos últimos anos”, alfineta. “A TV precisa de uma injeção de vida. Está faltando ar. Falta inconformismo”, afirma.

De acordo com Boni, as redes se acomodaram com suas posições no Ibope. “A Record já bateu a cabeça no teto. Chegou onde tinha que chegar e não procurou mais”, avalia.

A edição de hoje da coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo traz entrevista com Daniel Filho, que já foi um dos principais executivos da TV Globo e hoje comanda a Globo Filmes. Além de comentar o sucesso de seu filme "Se eu fosse você 2", ele critica a programação atual da televisão, opinião que coincide com a publicada pelo Tevê Aberta em 9 de fevereiro: "Tudo o que está sendo apresentado ali não me interessa".

FOLHA - Você já disse que a Globo tinha que mexer na programação e afirmou que não vê mais TV.
DANIEL - Nenhum programa na televisão me atrai, nenhum. Eu não ligo a televisão. É um cansaço meu, sei lá. Nem o "Jornal Nacional" eu preciso ver mais. Eu leio jornal, a internet te bota no dia-a-dia do que está acontecendo. Não sei o que você acha. Mas eu acredito que, pela audiência que a TV tem tido, essa sensação deve ser geral. Eu vejo a audiência dos programas caindo. A TV já foi um "must" nosso e hoje não é mais. Ficou meio morninha. Não mexe mais com as pessoas, não vejo mais dizerem: "Eu preciso ver isso". Não vejo ninguém discutindo o capítulo ou o programa exibido no dia anterior. Eu vejo isso com seriados americanos.

FOLHA - A TV ficou velha?
DANIEL - Sem dúvida nenhuma. Eu não diria velha... Eu ainda estava na televisão em 1990, por aí, e já percebia que, com os canais fechados, a TV aberta iria virar o AM e a TV fechada seria o FM. Ou seja, a televisão tendia a se popularizar mais. E houve isso. Praticamente todas as famílias brasileiras têm hoje um aparelho de televisão. Então, mudou o tipo de público. Agora, é importante registrar: eu estou afastado [da TV]. Portanto, eu não sei com que público eles estão trabalhando, para quem estão falando nem para quem desejam falar.

FOLHA - Nem o "Fantástico", que ajudou a criar, você vê?
DANIEL - O "Fantástico" perdeu a dimensão há muitos anos. Perdeu. Era um programa que pertencia ao meu domingo e que foi, pelas suas matérias, pela sua estrutura, me tirando dele. Agora, eu só vou em baile em que eu queira entrar. A TV tem esse problema: você pode desligar. Então eu não quero dar a minha opinião porque eu não sei com quem eles estão falando. Eu sei que comigo eles não estão falando. Tudo o que está sendo apresentado ali não me interessa.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Algo de errado ou Por que parou?

Algo está errado quando um blog tem mais visitas e comentários depois de ser "abandonado" do que no período em que era constantemente atualizado. É o que acontece com o Tevê Aberta, agora e em paradas anteriores. Para dar fim às especulações, decidimos passar aqui para explicar de vez a ausência.

Não, não morremos, tampouco o dinheiro ganho com os banners do Submarino (a maior parte vinda depois que o blog parou, diga-se) patrocinou viagens pelo mundo, como sugeriram alguns. Aliás, até que não seria nada mal... A viagem, claro. Não a morte, que pode ser adiada.

O que aconteceu então? Prestem atenção na programação da tevê aberta brasileira e tentem responder vocês mesmos. Não demanda muito esforço: uma zapeada rápida é capaz de acabar com a dúvida. A leitura das colunas e dos blogs sobre televisão também ajuda a entender o motivo do "abandono".

Algo está errado quando o Big Brother Brasil pode ser considerado o melhor programa de TV e o Big Bosta Brasil, o melhor veículo de comunicação sobre TV. Na televisão de hoje, sobra pretensão, conservadorismo, falsa seriedade, previsibilidade. Falta modéstia genuína, inovação, diversão, surpresa.

O tempo em que se incluía a tevê brasileira na lista das melhores do mundo passou. E, por enquanto, não dá sinais de que vai voltar. O que nossas emissoras produzem atualmente, em geral, é de baixíssima qualidade.

O principal produto de exportação, as novelas, prenderam-se a amarras difíceis de desatar. São os mesmos autores, os mesmos diretores, os mesmos atores, os mesmos técnicos, as mesmas histórias. O primeiro capítulo revela o que acontecerá no último. Entre o segundo e o penúltimo, sucedem-se cenas vazias para segurar um público pouco exigente.

Nos demais programas, o problema se repete. São os mesmos apresentadores, as mesmas atrações e a mesma platéia que grita ao ver piscar o sinal de aplausos. Até o seriado A Grande Família, apontado como uma exceção a essa triste regra, vem trilhando o caminho da mesmice.

A queda de audiência começa a preocupar as emissoras. Mas em vez de apresentarem novidades, os canais recorrem ao batido, ao antigo, ao mofado (vide Pantanal). Mudam o ditado para "em time que está perdendo, não se mexe".

Colunas e blogs especializados em televisão parecem comemorar o início da decorrada do veículo do qual sobrevivem. Dados do Ibope são divulgados quase em tempo real, como se qualidade se medisse em número. Qualidade, aliás, é palavra praticamente ausente nesses espaços.

O Tevê Aberta tentou ser uma alternativa. Deixamos os elogios à Globo para a Patrícia Kogut, o business para o Daniel Castro, as fofocas para a Fabíola Reipert, as fotos de artistas seminus para outros sites. Planejamos ser um blog de análise, não ceder ao apelo da massa. Mas esta é uma missão difícil demais.

Continuar assistindo à programação de Globo, Record, SBT, Band, RedeTV, TV Brasil e Cultura seria uma obrigação, não mais um prazer. Por conseguinte, concluímos que ler um blog marcado por lamentações como as aí de cima também não seria nada prazeroso para os leitores.

Isso significa que o Tevê Aberta acabou de vez? Não, por isso não houve despedida. Significa que está em compasso de espera, torcendo para que as emissoras admitam que estão tomando a direção errada e, então, repensem seu trajeto. Estamos ansiosos para encontrar indícios de modéstia genuína, inovação, diversão e surpresa. Principalmente, surpresa.

* Quer ser avisado das atualizações? Assine o Tevê Aberta (RSS na barra à direita).
* Quer falar com o blog? Deixe comentário aqui ou mande e-mail para teveaberta@yahoo.com.br.
* A conta do Tevê Aberta no YouTube, com cerca de 340 vídeos, foi deletada por violação de direitos autorais. Logo, os vídeos aqui postados não mais rodam.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Band muda de novo, sem encontrar sua identidade

Uma série de ajustes na programação da Band leva a emissora a ser notícia constante nos jornais. Primeiro, contratou Adriane Galisteu. Depois, pôs fim a seu núcleo de teledramaturgia. Agora, especula-se que tirará do ar atrações como Atualíssima, Bem Família, No Coração do Brasil e Terra Nativa. Tantas alterações, ainda não confirmadas oficialmente, colocam a Band em risco de perder — novamente — sua cara.

O canal do esporte se foi. O das novelas infanto-juvenis, também. Mais preocupada com o faturamento imediato do que em fortalecer sua identidade, mudou de formato como quem muda de roupa. Apostou em programas femininos, sitcoms, policiais, jornalismo. Mas não persistiu em nenhum formato.

Em 2009, tudo indica que a aposta da vez será o público jovem, com CQC, Adriane Galisteu e Daniela Cicarelli — esta, aliás, levada à geladeira cerca de seis meses depois de contratada. Também devem ter lugar formatos copiados das concorrentes: uma versão do Hoje em Dia, da Record, e outra da Escolinha do Professor Raimundo, da Globo [Uma Escolhinha Muito Louca, foto ao lado].

A maior dúvida é o prazo de validade dessas "novidades". Caso não deem certo, a Band já tem uma fórmula certeira para garantir o lucro no fim do mês: vender o horário mais disputado da televisão aberta brasileira a padres, pastores ou bispos. Afinal, para que se preocupar com a fidelização do espectador quando o dinheiro entra em caixa?

Embromation


A versão da Record para o sucesso mundial American Idol estreou nesta terça-feira com um árduo desafio: dar um ar de novidade a um formato que apresenta sinais de esgotamento. O público brasileiro assistiu a duas edições de Ídolos no SBT e a seis do original americano — no caso dos assinantes do canal pago Sony. Ainda é possível incluir nesta conta os similares Astros (SBT), Fama (três temporadas na Globo), Country Star (duas na Band) e Popstars (duas no SBT). Na soma, 16 programas exibidos no Brasil se dedicaram a revelar um cantor ou uma banda seguindo basicamente o mesmo sistema.

A contratação da diretora-artística do primeiro Ídolos, Fernanda Telles, para comandar a nova versão já indicava que a Record prefere a comodidade de repetir fórmulas ao esforço de propor ajustes. Na estréia, a equipe recorreu por exemplo à manjada edição de candidatos cantando músicas estrangeiras na base da embromation [assista no vídeo acima]. Era muito engraçado há três anos, engraçado há dois anos, hoje não tem quase nenhuma graça.

A escalação do apresentador e do júri também não contribuiu para movimentar o programa, pelo menos nesse começo. Rodrigo Faro expôs problemas graves: falta de carisma e de espontaneidade — em suas aparições, apenas disse mecanicamente um texto claramente decorado. O jurado Luis Calainho pecou pelo exagero nas caretas e pela afetação, mas marcou presença [veja no vídeo do Créu, abaixo]. Por outro lado, o colega de júri Marco Camargo não mostrou personalidade. E Paula Lima... Ué, Paula Lima estava na bancada?

O roteiro beirou o amador, com clichês como "Ídolos parou o Brasil", "o programa de mais sucesso da TV brasileira" (mas nem tinha estreado...), "separar o joio do trigo", "os candidatos vêm fazer novas amizades" (então é isso, eles não vão para cantar...) e mais uma paródia do filme Tropa de Elite. Ainda tentou apresentar o formato como inédito no país e omitiu a informação de que o jurado Marco Camargo recebeu um Grammy por produzir o CD de um padre, Marcelo Rossi — mencionou o prêmio de 2002, sem citar o "artista", enquanto frisou que o de 2006 foi pelo CD de Roberto Carlos.

Na estréia de Ídolos, a equipe poderia ter investido no conceito das ótimas chamadas, que mostravam imitadores de artistas como Britney Spears primeiro dublando e depois cantando com a voz real. Uma sacada simples e capaz de lustrar um formato que vem perdendo o brilho.

Créu!


Amnésia


* Texto corrigido às 12h50, por sugestão do leitor Bruno Carvalho.

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quinta-feira, agosto 07, 2008

Record decide monopolizar Olimpíada de 2012

A direção da Record não desperdiça uma oportunidade sequer de criticar a Globo por "monopólio", mas hoje decidiu não dividir com a concorrente ou com qualquer outra emissora aberta os direitos de transmissão da Olimpíada de 2012, em Londres. Dessa forma, quem não tem acesso a canais por assinatura e quiser assistir às competições terá que se contentar com uma única cobertura, a da Record.

A medida contraria comunicado à imprensa divulgado pela própria rede em março deste ano, no qual anunciava sua recusa de participar do processo de compra do Campeonato Brasileiro. "A Record considera que esse sistema de comercialização, (sic) divorcia-se do entendimento em relação à forma de divisão dos direitos de propriedade e sobretudo do direito de preferência que inviabiliza quaisquer emissoras em concorrer em condições de igualdade com a atual detentora, diminuindo assim a importância do papel da divulgação do esporte na sociedade".

Agora que pagou US$ 60 milhões pela Olimpíada de Londres e começa a ver a audiência da Globo e da Band aumentar com a exibição dos jogos de Pequim, instantaneamente passou a desconsiderar "a importância do papel da divulgação do esporte na sociedade". Este é mais um sinal de que, se alcançar a tão almejada liderança, a Record repetirá os mesmos erros que reputa à concorrente. Ou melhor, já está repetindo.

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Foi como um último capítulo: o mistério acerca da identidade da assassina de Marcelo, mantido desde a estréia de A Favorita, foi desvendado na noite de hoje [reveja no vídeo acima]. Ameaçada de morte por Donatela, Flora revelou que matou o homem de quem era amante, com direito a cenas em flashback sempre presentes nos desfechos das tramas do tipo "quem matou".

O público muito especulou e chegou a criar histórias mais inventivas que a de João Emanuel Carneiro. Teria sido Gonçalo, Silverinha, Dodi. O autor deu pistas falsas e pode ter decepcionado parte dos espectadores, que torciam por Flora.

Foi como um primeiro capítulo: a partir da revelação e do assassinato de Salvatore, a novela começa novamente. Não à toa João Emanuel pôs Cláudia Raia chorando debaixo de chuva, exatamente como fez com Patrícia Pillar na estréia da trama. Flora deixou de ser a mocinha injustiçada, papel agora assumido por Donatela, a verdadeira Favorita.

Com sua primeira novela das 21h, o autor vem subvertendo a fórmula dos folhetins. Atingiu o ponto máximo na edição de hoje, praticamente criando um novo gênero: duas novelas em uma. Mas não está livre de deslizes. Várias lacunas ainda precisam ser preenchidas: por exemplo, Flora e Donatela se encontraram e brigaram muitas outras vezes, então por que somente desta vez a ex-presidiária admitiu o crime?

A direção de A Favorita também derrapou. No capítulo de hoje, Patrícia Pillar mudou totalmente seu estilo de interpretação. Vinha fazendo uma Flora doce e sofrida, passou a ter características de psicopata e de malandra. Cláudia Raia segue com atuação apenas mediana, num papel que merecia uma atriz melhor.

Na semana passada, os boatos de que Flora era a real assassina da novela dividiram o Tevê Aberta. Ficou a questão: que motivos ela teria para remexer o caso, depois de cumprir pena de 18 anos? Hoje, João Emanuel Carneiro nos convenceu que mais vale acompanhar um autor que te conduz por caminhos surpreendentes, ainda que obscuros, do que outro que te leva em linha reta, revelando desde o início o ponto final. Sigamos em frente.

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Juliana Paes imita Cher

Em sua 23ª edição, o show do Criança Esperança trocou São Paulo pelo Rio de Janeiro, mas continuou exatamente igual aos anteriores. Quem resistiu diante da televisão das 22h até quase 1h provavelmente foi dormir com a sensação de ter assistido a uma reprise. Os convidados, o cenário, os figurinos e os discursos pareceram todos os mesmos dos shows de anos passados. Xuxa, confere. Efeito de estrela, confere. Palco enorme e vazio, confere.

O clima de "concurso escolar de talentos" continua. A começar pela presença forçada de Livian Aragão, a filha do mestre-de-cerimônias, no show. Coreografia, figurino e, sobretudo, conceito das apresentações de Nós do Morro, Elza Soares com Emílio Santiago, Cláudia Leitte como Carmen Miranda e Juliana Paes como Cher constrangeram de tão ultrapassados.

O Nós do Morro repetiu a luta do bem contra o mal de sempre. Elza e Emílio cantaram diante de um desfile de trajes típicos e em cima do mapa do Brasil desenhado no chão. Cláudia "homenageou" Carmen Miranda [assista no vídeo abaixo] transformando o samba Disseram que Voltei Americanizada em pop-rock — e dos ruins. E dava pena ver Juliana Paes [no vídeo acima] com uma toca vermelha de canutilhos. A única boa idéia foi levar as mulheres de vestido vermelho da abertura de Beleza Pura para a participação do Skank. Mas elas entraram e saíram em menos de 30 segundos...

Desde que assumiu a direção-geral do Criança Esperança, Aloysio Legey adotou uma estética que não combina com a programação da Globo. O diretor também peca pela megalomania: o palco precisa ser o maior possível, mesmo que permaneça quase o tempo inteiro vazio ou com no máximo cinco pessoas em cima — este ano, media 720 m². Cenário não havia — para Legey, basta erguer um telão de 240 m².

A mistura de musicais, reportagens e discursos no palco ainda não foi afinada, mesmo depois de tantos anos de experiência. A entrada de artistas (principalmente Renato Aragão) e jornalistas esfria o público depois da apresentação de cantores. Renato está sempre perdido e não consegue sequer dizer com naturalidade os textos que lhe cabe. Deve permanecer no comando da atração somente pela tradição ou teria sido trocado há tempos. O show passa na Globo, mas tem o estilo do SBT.


Xuxa canta no Criança Esperança


Cláudia Leitte homenageia Carmen Miranda e bossa-nova

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Enquanto Tiago Santiago faz barulho afirmando que sua novela Os Mutantes renova o formato, é o quieto João Emanuel Carneiro quem vai aos poucos se desprendendo das fórmulas. No capítulo de ontem, segurou o espectador no sofá com uma seqüência de cenas que lembrava desfecho de novela — ainda melhor, sem os clichês do casamento e do parto.

O desenrolar dos acontecimentos tirou o fôlego e surpreendeu, já que os autores costumam escrever apenas uma cena importante a cada capítulo. João Emanuel escreveu pelo menos seis para um único. Começou com Donatela descobrindo que Silverinha faz jogo duplo, abrigando Flora em sua casa. Silverinha revelou o ódio que tem da chefe e cuspiu no seu rosto, numa atuação memorável de Ary Fontoura.

Se sentindo traída, Donatela levou Lara ao apartamento de Flora para mostrar que ela se mudou para a casa de Silverinha, mas Flora estava no tal apartamento. Donatela expulsou Silverinha da casa que lhe deu de presente e devolveu a cusparada. Teve mais: Dodi chantageou Salvatore e Cassiano flagrou Lara e Halley se beijando numa sauna.

Tanta ação concentrada deve indicar que João Emanuel ainda tem muitas idéias na cabeça, boas o suficiente para recuperar a audiência perdida e não criar a tradicional barriga (fase da novela em que nada acontece). Ontem, a média foi de 39 pontos e o pico, de 43. Enquanto isso, em Os Mutantes, a Mulher-Aranha prendeu o Homem-Cobra e o gay caricato Danilo numa teia...

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O vazamento de informações sigilosas sobre a operação Satiagraha para a Globo e, depois, para jornais impressos mobilizou o ministro da Justiça, Tarso Genro, mas não conseguiu atingir quem deveria ter mais interesse nos rumos do jornalismo brasileiro: o público. O Tevê Aberta publicou dois textos questionando os furos constantes do repórter César Tralli relacionados a operações da PF (para ficar apenas na nossa área, a televisão aberta), com pouca repercussão. Uma das duas pessoas a comentar esses posts, a leitora Liz opinou que "é triste ver que ninguém fala nada sobre um assunto tão importante".

O jornalista Alberto Dines, âncora do programa Observatório da Imprensa, concorda em que o público não se incomoda "com esta sujeição da imprensa e da mídia eletrônica à loteria de informações patrocinada pela PF". Para ele, "o leitor quer barulho, lama no ventilador, escândalo". No artigo "Política de vazamentos pinta toda a imprensa de marrom", publicado ontem no site do Observatório, Dines lamenta o fato de haver uma "praga do vazamento 'seletivo' de documentos sigilosos, espécie de prêmio aos jornalistas bem-comportados".

Indiretamente, ele responde a pergunta feita pelo blog em abril ("Partindo do pressuposto que dificilmente uma fonte passa informação desse tipo a um jornalista sem pedir algo em troca, cabe questionar: Tralli retribui essas gentilezas? De que maneira?"). A resposta é: ele e outros retribuem com o silêncio. "Aqueles que deveriam denunciar procedimentos impróprios das autoridades policiais tornam-se seus cúmplices", avalia. "É o retorno do velho sensacionalismo amarelo (no Brasil, agora marrom) que aposta no furo futuro e esquece o seu compromisso com a investigação autônoma e soberana".

A Globo se defende afirmando que aceita fazer parte dessa distribuição de informações confidenciais porque tem compromisso com "o furo e a informação em primeira mão, em benefício dos telespectadores". As perguntas, agora, ficam a cargo de Dines: "É legítimo jornalisticamente? É legítimo juridicamente? É legítimo republicanamente?". O público exige ser bem-informado — e merece ser atendido sempre, nesse e em todos os outros casos de menor ou maior repercussão. Poderia exigir também transparência dos meios de comunicação.

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sábado, julho 05, 2008

Clima de pornochanchada em Guerra e Paz

Carlos Lombardi não consegue se livrar de suas fixações. Na estréia do seriado Guerra e Paz na programação da Globo, o autor reuniu todos os clichês repetidos ad nauseam em Kubanacan, Uga Uga, Pé na Jaca, Quinto dos Infernos e congêneres. De Marcos Pasquim sem camisa às cenas de luta.

O elenco é uma versão reduzida do de Pé na Jaca: Pasquim, Betty Lago, Mouhamed Harfouch e Daniele Valente. A eles se soma Danielle Winits, a protagonista de (quase) todas as produções assinadas por Lombardi. Eles atuam de forma caricata e gritam suas falas, num tipo de interpretação que lembra pornochanchadas.

Contribui para essa lembrança o texto vulgar do autor, que parece escrever variações sobre um único tema: o órgão sexual masculino. No episódio exibido ontem, contamos pelo menos 14 referências ao pênis de Marcos Pasquim/Pedro Guerra. Não demorou um minuto para o ator tirar a camisa, nem seis para ele aparecer mostrando a colegas uma tatuagem falsa no dito cujo.

Ainda apareceu tomando banho nu na frente de quem quisesse ver, invariavelmente causando espanto devido ao tamanho do dote do personagem, e insinuou ereções. Tudo de forma gratuita, sem contribuir para a história de Guerra e Paz. De mau-gosto e sem a graça ocasional de suas novelas. Carlos Lombardi não consegue mesmo se livrar de suas fixações. Pior: nem tenta.

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terça-feira, junho 10, 2008

JN demora a noticiar prisão de militar gay

Seis dias: esse foi o tempo que o Jornal Nacional levou para noticiar pela primeira vez a prisão do sargento do Exército que se revelou homossexual. Detido na noite do dia 4 (ou madrugada do dia 5), Laci Araújo vinha denunciando desde o dia 2 ser alvo de perseguição por parte dos militares devido a sua orientação sexual.

O fato chegou às capas de revistas e jornais, foi destaque em outros telejornais. Mas o mais assistido do país, junto com outras produções da Globo, ignoraram a notícia — o Bom Dia Brasil, por exemplo, até o dia 9. O que motivou a decisão de não repercutir a prisão? Só os funcionários da emissora podem dizer.

Hoje, diante das declarações de integrantes do Conselho de Direitos da Pessoa Humana de São Paulo, que reuniram documentos para provar que Laci não desertou, foi preso simplesmente por ser gay, os editores do JN precisaram rever sua opção [veja a reportagem exibida]. Seis dias.

Ontem, a querida blogueira e apresentadora do Atualíssima, Rosana Hermann, levantou uma interessante discussão, num post do Querido Leitor sobre A Favorita. Segundo ela, há uma "nova mania dos críticos de TV de torcer com prazer mórbido contra a novela da Globo". Citou como exemplo o uso por jornalistas da expressão A Rejeitada, que teria sido criada pela concorrência para ironizar a trama de João Emanuel Carneiro.

Daniel Castro, colunista da Folha de S.Paulo, e Ricardo Feltrin, do Uol, foram alguns dos que não resistiram e publicaram a piadinha interna. "A novela pode até ser chamada de A Rejeitada pela concorrência, mas que os jornalistas usem o mesmo apelido aí já é dar recibo de parcialidade total", escreveu. "Pra não supor coisa pior que compromete a isenção".

Rosana parece ter razão. Hoje há mais exemplos de parcialidade: reportagem da edição de hoje do Financial Times sobre o sucesso da Globo, com elogios à emissora, foi deturpada na Folha Online e no Uol. O título original falava em "TV Globo mantém estratégia vencedora há trinta anos", mas nesses portais o destaque era "Hegemonia da Globo é ameaçada por 'clone' Record, diz 'FT'".

A que atribuir esse fenômeno? Em parte, o investimento da Record em divulgação explica essa presença maciça nos meios de comunicação. A assessoria da emissora se especializou em divulgar índices de audiência, que imediatamente são replicados em blogs, sites, jornais e revistas. Os releases falam em "vitória por cinco minutos", mas nunca citam a derrota nos outros 45 minutos. Poucos checam as informações. O Tevê Aberta noticiou em janeiro que o Ibope desmentiu números repassados à imprensa pela Record. Segundo o instituto, a rede manipula os dados.

Além de disputa comercial, outra explicação possível é o interesse dos jornalistas pela mudança, pela novidade, hoje representada pela Record. De fato, a rede do bispo Macedo tem conseguido movimentar a televisão, o que merece ser noticiado, mas a atenção dada a ela ainda parece desproporcional à sua real participação no mercado. Quando ocupava o segundo lugar em audiência, o SBT era tão citado por jornalistas? Fica a impressão, sim, de que existe torcida pelo fim da supremacia da Globo.

quarta-feira, junho 04, 2008

Na estréia, suspense de A Favorita não vinga

Diz o autor de A Favorita, João Emanuel Carneiro [foto abaixo], que sua novela não tem vilã nem mocinha pré-definidas e caberá ao público descobrir entre as rivais Flora (Patrícia Pillar) e Donatela (Cláudia Raia) quem fala a verdade. Ele próprio mente. Divulgou uma sinopse truncada na intenção de divulgar a trama ou vem dando pistas falsas para os espectadores.

Explica-se: nos dois primeiros capítulos, o que se viu foram duas personagens com personalidade completamente definida. Donatela é a típica vilã — apareceu chantageando, ameaçando, destratando funcionários, pagando pessoas para prejudicarem sua concorrente. Flora, por sua vez, é a típica mocinha — foi mostrada como sofredora em busca de justiça, doce, delicada.

No decorrer da novela, as características de ambas podem mudar. Mas quem acreditará numa mocinha que lança mão de recursos anti-éticos para conseguir o que quer? E numa vilã que não ataca com golpes baixos? Se o objetivo de João Emanuel era deixar os espectadores em dúvida, falhou.

A falha, no entanto, não compromete a trama em si, e sim sua campanha de divulgação. Dúvida sobre vilã e mocinha à parte, A Favorita tem um enredo diferente de suas antecessoras, o que traz alívio para o público de novelas. Em vez de disputarem o amor de um homem, como manda a tradição do gênero, Flora e Donatela se enfrentarão para provar que falam a verdade.

Em dois capítulos, Patrícia Pillar já conseguiu conquistar. Fugiu do estereótipo de vítima que chora todo o tempo a ponto de irritar os espectadores. Glória Menezes e Milton Gonçalves são outros destaques. Cláudia Raia, ao contrário, trilhou o caminho mais fácil e parece estar interpretando a personagem de sempre: ela mesma.

quinta-feira, maio 22, 2008

SBT privilegia velharias e esconde novidades

Os fins de noite das quartas-feiras são dominados por programas jornalísticos no SBT. Às 22h45, entra no ar o SBT Repórter; às 23h45, o SBT Realidade. Duas atrações com formatos idênticos, mas bem diferentes uma da outra.

O SBT Repórter parece apenas tapar um buraco na programação. Afinal, que outro motivo a rede teria para manter no ar um programa que nem sequer conta com equipe de repórteres?

Na edição de ontem, exibiu-se reportagem sobre Hong Kong de pelo menos oito anos atrás. Pior: o espectador não foi avisado de que assistia a uma matéria cujas informações estão ultrapassadas. Somente a presença de Marília Gabriela como repórter indicava que trata-se de uma velharia.

Você procuraria notícias sobre um país num jornal ou revista publicado antes do ano 2000? O SBT pensa que sim, mas por via das dúvidas esconde a data da publicação. A narração antiqüada de César Filho aumenta o cheiro de naftalina que exala do televisor.

A permanência do SBT Repórter na grade torna-se ainda mais difícil de ser explicada quado entra no ar o SBT Realidade, este sim com equipe de repórteres (e das boas). Contratada em 2005 pela emissora, Ana Paula Padrão hoje edita e apresenta o jornalístico.

Muita gente acredita que a ex-âncora do Jornal da Globo está na geladeira. Com razão: aparece tão tarde que está praticamente escondida na grade. Mas quem agüenta esperar o fim do SBT Repórter não se arrepende.

O SBT Realidade informa (informações novas, enfim) e consegue emocionar com a narrativa sensível, o texto certeiro e as belas imagens de Ana Paula e sua equipe. Fazer o quê se a emissora prefere velharias a novidades?

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domingo, maio 18, 2008

Tudo (quase) igual, aqui e lá fora

Há quem diga que a televisão brasileira é a melhor do mundo. Basta sair do país para questionar essa afirmação. Em tempos de globalização, ligar o televisor na França, na Argentina, no Canadá, na China ou no Japão vem deixando de ser uma maneira de conhecer a cultura de cada lugar. Muda o idioma, repetem-se formatos.

O Big Brother chegou a 58 países; a Dança dos Famosos, a 33; o Aprendiz, a 24; o Show do Milhão, a mais de 23; o Supernanny, a 10; fora as cópias não-autorizadas dessas e de outras atrações. Os seriados, principalmente os criados nos Estados Unidos, também se espalham pelo globo, ocupando o espaço antes destinado à produção local.

No Brasil, as novelas são a pedra de resistência, apesar de algumas emissoras preferirem comprar tramas estrangeiras, opção mais barata, a produzir textos próprios, opção muito mais cara. Exportadas, as novelas da Globo conseguem levar um pouco do nosso comportamento a outros países. Mas quão estranho é acompanhar na Rússia histórias brasileiras?

A diversidade é bem-vinda. A unificação de conteúdo, não. Aqui ou em qualquer outro lugar, deveriam ser exaltadas a língua, o jeito e a criatividade nacional.

Na foto acima, o Aprendiz da Índia, chamado Business Baazigar.

sexta-feira, maio 16, 2008

Supernanny: realidade levada a sério

Há quem pense que os participantes do Big Brother estão sujeitos ao nível máximo de exposição — por dormirem, acordarem, tomarem banho, irem ao banheiro, conversarem e namorarem diante de dezenas de câmeras. Mas até nesse reality show é possível escolher o que revelar e o que esconder.

Diante das poucas câmeras de outro, o Supernanny, isso torna-se impossível. Na edição de amanhã, por exemplo, uma criança de quatro anos irá agredir a babá que dá nome à atração.

Apesar de não se propor a mostrar sonos, banhos, amassos, o programa invade ao extremo a intimidade de seus participantes. Quando aceitam abrir suas casas na tentativa de solucionar uma situação-limite, os personagens aceitam também dividir com milhões de espectadores todos seus erros, conflitos, dramas.

E ficamos diante da tela assistindo a pais que não sabem lidar com seus proprios filhos. A dor de pertencer a uma família desestruturada muitas vezes não é verbalizada, mas as imagens conseguem captar os olhos tristes da mãe, a postura retraída do filho, a indiferença do pai.

Supernanny pouco serve para ensinar métodos de educação, mas proporciona um processo de catarse nas familias com problemas semelhantes. O programa acerta por combinar sensibilidade com exposição e, sobretudo, por ser fiel a produto dos reality shows, sem recorrer a artificialismos como Troca de Familia e Simple Life.

A cópia não é novidade no Caldeirão do Huck — o programa já plagiou Extreme Makeover Home Edition (Lar Doce Lar), Pimp My Ride (Lata Velha), Kitchen Nightmares (Negócio Fechado) e concursos de soletração (Soletrando). E, pior, sempre garantindo que são criações próprias. Hoje, Luciano Huck lançou mais um quadro claramente inspirado em outra atração existente: o Cantando 7, genérico do Qual É a Música.

Os formatos são muito semelhantes: em ambos, os candidatos ouvem parte de canções e devem dizer como elas continuam. As diferenças são pouquíssimas — no Caldeirão, há apenas um participante em vez de seis, por exemplo. Para ficar idêntico, faltaram os dubladores e, claro, um apresentador com o carisma e o talento de Sílvio Santos. Por mais que tente, isso Luciano Huck nunca conseguirá copiar.

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sexta-feira, abril 18, 2008

Boris Casoy leva estilo ultrapassado à Band

Boris Casoy voltou esta semana à tevê, no comando do Jornal da Noite, da Band. Com ele, um gênero questionado: o jornalismo de opinião. Nos jornais impressos, editoriais ocupam colunas específicas e bem identificadas. Em outros telejornais, comentaristas apenas comentam — cabe a terceiros apresentarem reportagens da edição. Ao se dividir nas funções de âncora e comentarista, Boris confunde o público. Afinal, como distinguir informação de opinião quando ambas são lidas pela mesma figura?

Pior: no novo Jornal da Noite, da Band, as opiniões não estão apenas na boca de Boris, mas também nas reportagens. Conhecido por sua ligação com parte da direita, o jornalista vem claramente editorializando o conteúdo do telejornal. Na terça-feira, uma viagem sem qualquer repercussão do pré-candidato à Presidência pelo PSDB e governador de Minas Gerais, Aécio Neves, para reunião com diretores do Banco Mundial ganhou grande destaque. Boris ainda se alongou em elogios ao tucano. A Folha Online não deu sequer uma notinha sobre o encontro.

Por outro lado, na estréia, o anúncio extra-oficial de um novo megacampo de petróleo de boa notícia para o país virou uma notícia ruim: seria uma tentativa de abafar a "crise dos cartões corporativos". Em entrevista com o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, do PT, Boris questinou o que o deputado achava de um terceiro mandato para Lula. A resposta: "Eu sou contra terceiro mandato para qualquer governante, não somente para o Lula".

Além de ter editorializado o Jornal da Noite, Boris interrompeu a tentativa da Band de se levar ao ar um telejornal informal no fim da noite — com apresentadores de pé e tom de conversa. Retomou a bancada, o script. Trocou o novo pelo ultrapassado.

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A transmissão do concurso Miss Brasil 2008 terminou há pouco, com a coroação da representante do Rio Grande do Sul, Natália Anderle [foto abaixo]. Ao superar 26 concorrentes, a gaúcha, de 22 anos, ganhou R$ 200 mil, um carro e a oportunidade de disputar o Miss Universo, em julho, no Vietnã. A vencedora substitui Nathália Guimarães.

Vanessa Vidal, do Ceará, a primeira candidata surda do concurso, ficou com o segundo lugar. Seguiram-se as representantes de Goiás (3ª), São Paulo (4ª) e Minas Gerais (5ª). Nenhuma das 10 finalistas era negra, apenas uma era loira - as outras nove tinham o mesmo padrão: morena dos olhos castanhos.

Exibido pela Band entre 20h30 e 23h20, o Miss Brasil foi marcado por falhas de aúdio e iluminação. Alexandre Pires, Olodum, Gabriel O Pensador e Jorge Ben Jor cantaram entre os desfiles, mas pouco pôde ser ouvido de Ben Jor - o som do início de seu show foi cortado. Durante as canções, as misses se movimentaram em coreografias bizarras, que geraram mais esbarrões do que belas imagens.

Diferentemente do ano anterior, em que cometeram erros de português em série, os apresentadores Nayla Micherif e Guilherme Arruda não tiveram espaço para improvisar. Os dois apenas leram o roteiro, que ironicamente também continha frases esdrúxulas como "ordem totalmente aleatória". Existe ordem parcialmente aleatória?

A Band parece ainda estar procurando uma maneira nova de transmitir concursos de beleza. Na tentativa de tirar a poeira de uma atração praticamente superada, a emissora acabou jogando no lixo também o glamour da disputa entre misses. Quem sabe em 2009...

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