Não, não morremos, tampouco o dinheiro ganho com os banners do Submarino (a maior parte vinda depois que o blog parou, diga-se) patrocinou viagens pelo mundo, como sugeriram alguns. Aliás, até que não seria nada mal... A viagem, claro. Não a morte, que pode ser adiada.
O que aconteceu então? Prestem atenção na programação da tevê aberta brasileira e tentem responder vocês mesmos. Não demanda muito esforço: uma zapeada rápida é capaz de acabar com a dúvida. A leitura das colunas e dos blogs sobre televisão também ajuda a entender o motivo do "abandono".
Algo está errado quando o Big Brother Brasil pode ser considerado o melhor programa de TV e o
Big Bosta Brasil, o melhor veículo de comunicação sobre TV. Na televisão de hoje, sobra pretensão, conservadorismo, falsa seriedade, previsibilidade. Falta modéstia genuína, inovação, diversão, surpresa.
O tempo em que se incluía a tevê brasileira na lista das melhores do mundo passou. E, por enquanto, não dá sinais de que vai voltar. O que nossas emissoras produzem atualmente, em geral, é de baixíssima qualidade.
O principal produto de exportação, as novelas, prenderam-se a amarras difíceis de desatar. São os mesmos autores, os mesmos diretores, os mesmos atores, os mesmos técnicos, as mesmas histórias. O primeiro capítulo revela o que acontecerá no último. Entre o segundo e o penúltimo, sucedem-se cenas vazias para segurar um público pouco exigente.
Nos demais programas, o problema se repete. São os mesmos apresentadores, as mesmas atrações e a mesma platéia que grita ao ver piscar o sinal de aplausos. Até o seriado A Grande Família, apontado como uma exceção a essa triste regra, vem trilhando o caminho da mesmice.
A queda de audiência começa a preocupar as emissoras. Mas em vez de apresentarem novidades, os canais recorrem ao batido, ao antigo, ao mofado (vide Pantanal). Mudam o ditado para "em time que está perdendo, não se mexe".
Colunas e blogs especializados em televisão parecem comemorar o início da decorrada do veículo do qual sobrevivem. Dados do Ibope são divulgados quase em tempo real, como se qualidade se medisse em número. Qualidade, aliás, é palavra praticamente ausente nesses espaços.
O Tevê Aberta tentou ser uma alternativa. Deixamos os elogios à Globo para a Patrícia Kogut, o business para o Daniel Castro, as fofocas para a Fabíola Reipert, as fotos de artistas seminus para outros sites. Planejamos ser um blog de análise, não ceder ao apelo da massa. Mas esta é uma missão difícil demais.
Continuar assistindo à programação de Globo, Record, SBT, Band, RedeTV, TV Brasil e Cultura seria uma obrigação, não mais um prazer. Por conseguinte, concluímos que ler um blog marcado por lamentações como as aí de cima também não seria nada prazeroso para os leitores.
Isso significa que o Tevê Aberta acabou de vez? Não, por isso não houve despedida. Significa que está em compasso de espera, torcendo para que as emissoras admitam que estão tomando a direção errada e, então, repensem seu trajeto. Estamos ansiosos para encontrar indícios de modéstia genuína, inovação, diversão e surpresa. Principalmente, surpresa.
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