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quarta-feira, dezembro 03, 2008

TV Brasil estréia em SP, com novo visual

A TV Brasil estreou nesta terça-feira em São Paulo, um ano depois de criada. Por enquanto, a emissora funciona apenas em canal aberto digital (63); o analógico virá no começo de 2009, segundo a direção. Junto com o sinal, a tevê pública inaugurou sede na cidade, onde inicialmente pretende produzir um jornal local e uma edição semanal do programa de entrevistas Sem Censura.

Na festa de aniversário e de lançamento do canal, a emissora apresentou sua nova identidade visual [veja nas imagens abaixo], no ar desde o fim da noite. O logotipo, em tons de azul, une três triângulos com pontas arredondadas. A marca d'água ainda precisa de ajustes: localizada no canto superior direito da tela, está muito baixa, sujando a imagem.

Atualização às 20h03: Os ajustes foram feitos e, agora, a marca d'água está no lugar certo — bem no cantinho.

O diretor-geral da TV Brasil, Orlando Senna, divulgou hoje comunicado à imprensa em que informa que pediu demissão do cargo, assumido há oito meses. Segundo o texto, a saída foi motivada pela "forma de gestão adotada pela empresa [a EBC, gestora da rede] que, entre outros equívocos, concentra poderes excessivos na Presidência".

Senna [na foto ao lado, na ponta esquerda, ao lado de Franklin Martins e Tereza Cruvinel] afirma que não tinha "autonomia e mobilidade" suficientes e, por isso, sugere ajustes para que a emissora cumpra "o objetivo de liderar uma comunicação pública plural, isenta, inteligente, interativa e formadora de cidadania". Entretanto, ressalva que continua sendo defensor do projeto de televisão pública.

Em abril, o jornalista Luiz Lobo denunciou "interferência do Planalto" na TV Brasil, logo após ser demitido. A diretora-presidente, Tereza Cruvinel, assume temporariamente o cargo de diretora-geral.

:: Leia trecho do comunicado de Orlando Senna

"(...) Deixo a EBC por discordar da forma de gestão adotada pela empresa que, entre outros equívocos, concentra poderes excessivos na Presidência, engessando as instâncias operacionais, que necessitam de autonomia executiva para produzir em série, como em qualquer TV. Melhor: como em qualquer empresa que opera emissoras de TV e rádio, agência de notícia, web e outros serviços audiovisuais, que é o caso da EBC. Uma forma de gestão que induziu a exoneração de Mário Borgneth, o excepcional articulador e executivo que organizou e coordenou o seminal Fórum de TVs Públicas e que, como diretor de Relacionamento da EBC, nesses oito meses, montou a estrutura de uma rede com cobertura em todo o País, baseada em novos modelos de negócio e em uma arquitetura horizontal, sem o verticalismo das redes comerciais. Uma decisão com a qual não posso concordar.

Minha saída está motivada pela consciência de que, na forma de gestão adotada, a Direção Geral, cargo que ocupei, não está provida da autonomia e mobilidade necessárias para cuidar dos aspectos operacionais da empresa, tornando-se, no atual desenho de gestão, praticamente desnecessária. Minha atitude não significa descrença no projeto, do qual continuo ardente defensor. A EBC terá de solucionar várias questões para alcançar o seu objetivo de empresa pública de comunicação moderna, democrática e financeiramente saudável. São questões no âmbito estrutural, na forma de gestão e na definição de encaminhamentos, sobre os quais enviei documento às instâncias superiores da empresa, no dia 30-05-2008, sugerindo ajustes e chamando a atenção para o caráter urgente das providências. Realizados os ajustes necessários, a EBC/TV Brasil poderá cumprir o objetivo de liderar uma comunicação pública plural, isenta, inteligente, interativa e formadora de cidadania.

Esses ajustes, esse processo de concretização do sonho de uma TV pública, de uma comunicação plenamente pública, blindada contra os poderes e interesses governamentais e econômicos, só chegará a bom termo (como todos sabemos) com a participação direta da sociedade. Nesta fase crucial de instalação da EBC a ação das entidades e das personalidades que se fizeram ouvir no Fórum de TVs Públicas, na Carta de Brasília, na aprovação no Congresso se torna ainda mais importante e decisiva. E que outras entidades e personalidades se somem a esse labor de vigilância constante e atuação propositiva, garantindo a presença majoritária da produção independente e regional na programação televisiva, radiofônica e web, a horizontalidade da rede, a independência editorial, o jornalismo isento, a vinculação da empresa a algum ministério (lutemos, por exemplo, por uma fundação pública de direito privado). (...)"


Foto de Marcello Casal Jr./ABr

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Câmara aprova a criação da tevê pública

A medida provisória que cria a TV Brasil (rede pública de televisão) e a Empresa Brasileira de Comunicação (gestora do canal) foi aprovada ontem pelo plenário da Câmara, por 336 votos a 103 — mais 3 abstenções. Os destaques devem ser votados hoje.

O texto estabelece limite mínimo na programação para conteúdos regionais (10%) e independentes (5%), de forma a divulgar a produção cultural dos estados. Para a publicidade institucional, há limite máximo (de 15%). O anúncio de produtos e serviços é proibido.

A medida provisória também exige a destinação de 10% dos recursos arrecadados com a taxa de fiscalização de empresas de telecomunicação e radiodifusão — o equivalente a R$ 150 milhões — para a TV pública. O Orçamento da União prevê mais R$ 350 milhões. (Via)

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Ex-Globo, Boni analisa futuro da tevê na era digital
Tevê digital: transmissão começa em São Paulo

O presidente Lula deu mais um passo em direção à criação de um canal de tevê público. Hoje ele se reuniu com Boni, o ex-todo-poderoso da Globo. O porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, não deu detalhes sobre o encontro, mas informou que Boni se declarou favorável à TV pública. Será este o indício de uma futura parceria?