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Os candidatos a prefeito de Salvador, Recife, Curitiba e Sinop (no Mato Grosso) se enfrentam esta noite na Band. É o segundo debate em Salvador e Curitiba, o primeiro no Recife e em Sinop. O encontro está marcado para as 22h (exceto em Sinop, às 21h). Todos seguem o formato do debate de São Paulo, com duas horas de duração.

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domingo, agosto 24, 2008

Intervalo: Campanha Vota Brasil diverte


Abelha no ouvido

A campanha Vota Brasil, do Tribunal Superior Eleitoral, vem divertindo espectadores. Apesar de representarem um órgão do governo, os filmes publicitários não têm nada de entediantes. Ao contrário. Valorizam a eleição com muito bom-humor, comparando o voto não-consciente com andar em círculos, ter uma abelha dentro do ouvido ou escolher aquela musiquinha de espera (ou de caminhão de gás) como toque de celular. A criação é da agência W/Brasil (Rui Branquinho, Marcelo Conde e Eiji Kozaka), em trabalho voluntário.


Toque de celular


Andando em círculo

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segunda-feira, agosto 18, 2008

Propaganda eleitoral começa amanhã na TV

Candidatos a prefeito e a vereador invadirão a tevê aberta amanhã, com o início da tão criticada propaganda eleitoral obrigatória. A campanha seguirá até 2 de outubro, dividida em 30 minutos à tarde (das 13h às 13h30) e 30 minutos à noite (das 20h30 às 21h), fora os comerciais ao longo do dia (mais 30 minutos). O horário eleitoral será dos candidatos a prefeito nas segundas, quartas e sextas; e dos candidatos a vereador nas terças, quintas e sábados.

Com isso, as emissoras mexerão nas suas grades, adiantando, atrasando e encurtando programas. À noite, por exemplo, a novela das 19h da Globo passará para as 18h55 e o Jornal Nacional, para as 20h. A linha de shows do SBT irá ao ar às 19h15, e não mais às 20h. O Jornal da Record entrará às 19h50 e o Jornal da Band, às 19h05.

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Eleições: três emissoras agendam debates

A 66 dias da eleição de 2008, a Band reúne amanhã candidatos a prefeito de 12 cidades, abrindo o calendário de debates na tevê. O encontro irá ao ar das 21h30 à meia-noite em São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Manaus, São José dos Campos (SP), Araras (SP), Chapecó (SC), Niterói (RJ), Barra Mansa (RJ) e Maringá (PR).

Em São Paulo, o debate terá cinco blocos, sob a mediação de Boris Casoy. No primeiro, todos responderão perguntas feitas pela produção. Nos dois seguintes, candidatos questionarão candidatos. No quarto, os jornalistas José Paulo de Andrade e Fernando Vieira de Mello farão perguntas. No último bloco, os candidatos terão tempo para suas considerações finais. O formato será basicamente o mesmo nas demais cidades.

Na capital paulista, estão confirmadas as presenças de Marta Suplicy (PT), Geraldo Alckmin (PSBD), Gilberto Kassab (DEM), Paulo Maluf (PP), Soninha Francine (PPS), Ivan Valente (Psol), Ciro Moura (PTC) e Renato Reichmann (PMN).

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Ana Paula Padrão se destaca em debate no SBT
Candidatos fazem debate duro na Band

quinta-feira, junho 05, 2008

Eleições: três emissoras agendam debates

eOs debates entre candidatos aos governos municipais estão agendados em três redes de tevê, informa a coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo. Como manda a tradição, a Band vai abrir o calendário e a Globo, fechar. A Gazeta também programou dois encontros. Outras emissoras ainda não anunciaram se vão reunir os candidatos para debaterem.

Band
1º turno: 21 de julho (segunda-feira) e 21 de agosto (quinta)
2º turno: 7 (terça) ou 9 (quinta) de outubro

Globo
1º turno: 2 de outubro (quinta)
2º turno: 24 de outubro (sexta)

Gazeta (somente em São Paulo)
1º turno: 31 de agosto (domingo)
2º turno: 12 de outubro (domingo)

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Relembre a cobertura das eleições de 2006

Repórter-especial da Globo por 11 anos, o jornalista Rodrigo Vianna divulgou ontem uma carta em que critica a cobertura das eleições de 2006 feita pela emissora, a qual considera "desastrosa". Rodrigo cita, com detalhes, "intervenção minuciosa em textos, trocas de palavras a mando de chefes" e outros artifícios para favorecer candidatos do PSDB — principalmente Serra e Alckmin — e prejudicar os do PT — especialmente Lula.

O desabafo do jornalista vai de encontro aos comentários que, desde sempre, ecoam nas conversas da categoria, e também de parte da população. "O que esperar de uma Redação que é dirigida por alguém que defende a cobertura feita pela Globo na época das Diretas?", resume Rodrigo. A Central Globo de Comunicação não comentou a carta, mas fez questão de informar que Rodrigo Vianna só a divulgou "após ter sido informado pela emissora de que seu contrato não seria renovado". Em quem o leitor acredita?

Em tempo: o tal "fulano" a que o jornalista se refere é Ali Kamel, editor-executivo da Central Globo de Jornalismo.

:: Leia a carta de Rodrigo Vianna na íntegra

Lealdade

"Quando cheguei à TV Globo, em 1995, eu tinha mais cabelo, mais esperança, e também mais ilusões. Perdi boa parte do primeiro e das últimas. A esperança diminuiu, mas sobrevive. Esperança de fazer jornalismo que sirva pra transformar - ainda que de forma modesta e pontual. Infelizmente, está difícil continuar cumprindo esse compromisso aqui na Globo. Por isso, estou indo embora.

Quando entrei na TV Globo, os amigos, os antigos colegas de Faculdade, diziam: "você não vai agüentar nem um ano naquela TV que manipula eleições, fatos, cérebros". Agüentei doze anos. E vou dizer: costumava contar a meus amigos que na Globo fazíamos - sim - bom jornalismo. Havia, ao menos, um esforço nessa direção.

Na última década, em debates nas universidades, ou nas mesas de bar, a cada vez que me perguntavam sobre manipulação e controle político na Globo, eu costumava dizer: "olha, isso é coisa do passado; esse tempo ficou pra trás".

Isso não era só um discurso. Acompanhei de perto a chegada de Evandro Carlos de Andrade ao comando da TV, e a tentativa dele de profissionalizar nosso trabalho. Jornalismo comunitário, cobertura política - da qual participei de 98 a 2006. Matérias didáticas sobre o voto, sobre a democracia. Cobertura factual das eleições, debates. Pode parecer bobagem, mas tive orgulho de participar desse momento de virada no Jornalismo da Globo.

Parecia uma virada. Infelizmente, a cobertura das eleições de 2006 mostrou que eu havia me iludido. O que vivemos aqui entre setembro e outubro de 2006 não foi ficção. Aconteceu.

Pode ser que algum chefe queira fazer abaixo-assinado para provar que não aconteceu. Mas, é ruim, hem!

Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: "o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto".

Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior.

Na reta final do primeiro turno, os "aloprados do PT" aprontaram; e aloprados na chefia do jornalismo global botaram por terra anos de esforço para construir um novo tipo de trabalho aqui.

Ao lado de um grupo de colegas, entrei na sala de nosso chefe em São Paulo, no dia 18 de setembro, para reclamar da cobertura e pedir equilíbrio nas matérias: "por que não vamos repercutir a matéria da "Istoé", mostrando que a gênese dos sanguessugas ocorreu sob os tucanos? Por que não vamos a Piracicaba, contar quem é Abel Pereira?"

Por que isso, por que aquilo... Nenhuma resposta convincente. E uma cobertura desastrosa. Será que acharam que ninguém ia perceber?

Quando, no JN, chamavam Gedimar e Valdebran de "petistas" e, ao mesmo tempo, falavam de Abel Pereira como empresário ligado a um ex-ministro do "governo anterior", acharam que ninguém ia achar estranho?

Faltando seis dias para o primeiro turno, o "petista" Humberto Costa foi indiciado pela PF. No caso dos vampiros. O fato foi parar em manchete no JN, e isso era normal. O anormal é que, no mesmo dia, esconderam o nome de Platão, ex-assessor do ministério na época de Serra/Barjas Negri. Os chefes sabiam da existência de Platão, pediram a produtores pra checar tudo sobre ele, mas preferiram não dar. Que jornalismo é esse, que poupa e defende Platão, mas detesta Freud! Deve haver uma explicação psicanalítica para jornalismo tão seletivo!

Ah, sim, Freud. Elio Gaspari chegou a pedir desculpas em nome dos jornalistas ao tal Freud Godoy. O cara pode ter muitos pecados. Mas, o que fizemos na véspera da eleição foi incrível: matéria mostrando as "suspeitas", e apontando o dedo para a sala onde ele trabalhava, bem próximo à sala do presidente... A mensagem era clara. Mas, quando a PF concluiu que não havia nada contra ele, o principal telejornal da Globo silenciou antes da eleição.

Não vi matérias mostrando as conexões de Platão com Serra, com os tucanos.

Também não vi (antes do primeiro turno) reportagens mostrando quem era Abel Pereira, quem era Barjas Negri, e quais eram as conexões deles com PSDB. Mas vi várias matérias ressaltando os personagens petistas do escândalo. E, vejam: ninguém na Redação queria poupar os petistas (eu cobri durante meses o caso Santo André; eram matérias desfavoráveis a Lula e ao PT, nunca achei que não devêssemos fazer; seria o fim da picada...).

O que pedíamos era isonomia. Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas.!

Um colega nosso chegou a produzir, de forma precária, por telefone (vejam, bem, por telefone! Uma TV como a Globo fazer reportagem por telefone), reportagem com perfil do Abel. Foi editada, gerada para o Rio. Nunca foi ao ar!

Os telespectadores da Globo nunca viram Serra e os tucanos entregando ambulâncias cercados pelos deputados sanguessugas. Era o que estava na tal fita do "dossiê". Outras TVs mostraram o vídeo, a internet mostrou. A Globo, não. Provava alguma coisa contra Serra? Não. Ele não era obrigado a saber das falcatruas de deputados do baixo clero. Mas, por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas?

E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, vocês sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas "desagradáveis". A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar.

E isso era um segredo de polichinelo. Muita gente ouviu essa história pelos corredores...

E as fotos da grana dos aloprados? Tínhamos que publicar? Claro. Mas, porque não demos a história completa? Os colegas que estavam na PF naquele dia (15 de setembro), tinham a gravação, mostrando as circunstâncias em que o delegado vazara as fotos. Justiça seja feita: sei que eles (repórter e produtor) queriam dar a matéria completa - as fotos, e as circunstâncias do vazamento. Podiam até proteger a fonte, mas escancarando o que são os bastidores de uma campanha no Brasil. Isso seria fazer jornalismo, expor as entranhas do poder.

Mais uma vez, fomos seletivos: as fotos mostradas com estardalhaço. A fita do delegado, essa sumiu!

Aquele diretor, aquele que controla cada palavra dos textos de política, disse que só tomou conhecimento do conteúdo da fita no dia seguinte. Quer que a gente acredite?

Por que nunca mostraram o conteúdo da fita do delegado no JN?

O JN levou um furo, foi isso?

Um colega nosso, aqui da Globo ouviu a fita e botou no site pessoal dele... Mas, a Globo não pôs no ar... O portal "G-1" botou na íntegra a fita do delegado, dias depois de a "CartaCapital" ter dado o caso. Era noticia? Para o portal das Organizações Globo, era.

Por que o JN não deu no dia 29 de setembro? Levou um furo?

Não. Furada foi a cobertura da eleição. Infelizmente.

E, pra terminar, aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da "CartaCapital". Respeito os colegas que assinaram. Alguns assinaram por medo, outros por convicção. Mas, o fato é que foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes!

Pensem bem. Imaginem a seguinte hipótese: a revista "Quatro Rodas" dá matéria falando mal da suspensão de um carro da Volkswagen, acusando a empresa de deliberadamente não tomar conhecimento dos problemas. Aí, como resposta, os diretores da Volks têm a brilhante idéia de pedir aos metalúrgicos pra assinar um manifesto em defesa da empresa! O que vocês acham? Os metalúrgicos mandariam a direção da fábrica catar coquinho em Berlim!

Aqui, na Globo, muitos preferiram assinar. Por isso, talvez, tenhamos um metalúrgico na Presidência da República, enquanto os jornalistas ficaram falando sozinhos nessa eleição...

De resto, está difícil continuar fazendo jornalismo numa emissora que obriga repórteres a chamarem negros de "pretos e pardos". Vocês já viram isso no ar? Sinto vergonha...

A justificativa: IBGE (e, portanto, o Estado brasileiro) usa essa nomenclatura. Problema do IBGE. Eu me recuso a entrar nessa. Delegados de policia (representantes do Estado) costumavam (até bem pouco tempo) tratar companheiras (mesmo em relações estáveis) como "concubinas" ou "amásias". Nunca usamos esses termos!

Árabes que chegaram ao Brasil no início do século passado eram chamados de "turcos" pelas autoridades (o passaporte era do Império Turco Otomano, por isso a nomenclatura). Por causa disso, jornalistas deviam chamar libaneses de turcos?

Daqui a pouco, a Globo vai pedir para que chamemos a Parada Gay de "Parada dos Pederastas". Francamente, não tenho mais estômago.

Mas, também, o que esperar de uma Redação que é dirigida por alguém que defende a cobertura feita pela Globo na época das Diretas?

Respeito a imensa maioria dos colegas que ficam aqui. Tenho certeza que vão continuar se esforçando pra fazer bom Jornalismo. Não será fácil a tarefa de vocês.

Olhem no ar. Ouçam os comentaristas. As poucas vozes dissonantes sumiram. Franklin Martins foi afastado. Do Bom dia Brasil ao JG, temos um desfile de gente que está do mesmo lado.

Mas sabem o que me deixou preocupado mesmo? O texto do João Roberto Marinho depois das eleições.

Ele comemorou a reação (dando a entender que foi absolutamente espontânea; será que disseram isso pra ele? Será que não contaram a ele do mal-estar na Redação de São Paulo?) de jornalistas em defesa da cobertura da Globo:

"(...)diante de calúnias e infâmias, reagem, não com dúvidas ou incertezas, mas com repúdio e indignação. Chamo isso de lealdade e confiança".

Entendi. Ele comemora que não haja dúvidas e incertezas... Faz sentido. Incerteza atrapalha fechamento de jornal. Incerteza e dúvida são palavras terríveis. Devem ser banidas. Como qualquer um que diga que há racismo - sim - no Brasil.

E vejam o vocabulário: "lealdade e confiança". Organizações ainda hoje bem populares na Itália costumam usar esse jargão da "lealdade".

Caro João, você talvez nem saiba direito quem eu sou.

Mas, gostaria de dizer a você que lealdade devemos ter com princípios, e com a sociedade. A Globo, infelizmente, não foi "leal" com o público. Nem com os jornalistas. Vai pagar o preço por isso. É saudável que pague. Em nome da democracia!

João, da família Marinho, disse mais no brilhante comunicado interno:

"Pude ter certeza absoluta de que os colaboradores da Rede Globo sabem que podem e devem discordar das decisões editoriais no trabalho cotidiano que levam à feitura de nossos telejornais, porque o bom jornalismo é sempre resultado de muitas cabeças pensando".

Caro João, em que planeta você vive? Várias cabeças? Nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política!

Cumpro agora um dever de lealdade: informo-lhe que, passadas as eleições, quem discordou da linha editorial da casa foi posto na "geladeira". Foi lamentável, caro João. Você devia saber como anda o ânimo da Redação - especialmente em São Paulo.

Boa parte dos seus "colaboradores" (você, João, aprendeu direitinho o vocabulário ideológico dos consultores e tecnocratas - "colaboradores", essa é boa... Eu não sou colaborador, coisa nenhuma! Sou jornalista!) está triste e ressabiada com o que se passou.

Mas, isso tudo tem pouca importância.

Grave mesmo é a tela da Globo - no Jornalismo, especialmente - não refletir a diversidade social e política brasileira. Nos anos 90, houve um ensaio, um movimento em direção à pluralidade. Já abortado. Será que a opção é consciente?

Isso me lembra a Igreja Católica, que sob Ratzinger preferiu expurgar o braço progressista. Fez uma opção deliberada: preferiram ficar menores, porém mais coesos ideologicamente. Foi essa a opção de Ratzinger. Será essa a opção dos Marinho?

Depois, não sabem porque os protestantes crescem...

Eu, que não sou católico nem protestante, fico apenas preocupado por ver uma concessão pública ser usada dessa maneira!

Mas, essa é também uma carta de despedida, sentimental.

Por isso, peço licença pra falar de lembranças pessoais.

Foram quase doze anos de Globo.

Quando entrei na TV, em 95, lá na antiga sede da praça Marechal, havia a Toninha - nossa mendiga de estimação, debaixo do viaduto. Os berros que ela dava em frente à entrada da TV traziam uma dimensão humana ao ambiente, lembravam-nos da fragilidade de todos nós, de como nossa razão pode ser frágil.

Havia o João Paulada - o faz-tudo da Redação.

Havia a moça do cafezinho (feito no coador, e entregue em garrafas térmicas), a tia dos doces...

Era um ambiente mais caseiro, menos pomposo. Hoje, na hora de dizer tchau, sinto saudade de tudo aquilo.

Havia bares sujos, pessoas simples circulando em volta de todos nós - nas ruas, no Metrô, na padaria.

Todos, do apresentador ao contínuo, tinham que entrar a pé na Redação. Estacionamentos eram externos (não havia "vallet park", nem catraca eletrônica). A caminhada pelas calçadas do centro da cidade obrigava-nos a um salutar contato com a desigualdade brasileira.

Hoje, quando olho pra nossa Redação aqui na Berrini, tenho a impressão que estou numa agência de publicidade. Ambiente asséptico, higienizado. Confortável, é verdade. Mas triste, quase desumano.

Mas, há as pessoas. Essas valem a pena.

Pra quem conseguiu chegar até o fim dessa longa carta, preciso dizer duas coisas...

1) Sinto-me aliviado por ficar longe de determinados personagens, pretensiosos e arrogantes, que exigem "lealdade"; parecem "poderosos chefões" falando com seus seguidores... Se depender de mim, como aconteceu na eleição, vão ficar falando sozinhos.

2) Mas, de meus colegas, da imensa maioria, vou sentir saudades.

Saudades das equipes na rua - UPJs que foram professores; cinegrafistas que foram companheiros; esses sim (todos) leais ao Jornalismo.

Saudades dos editores - que tiveram paciência com esse repórter aflito e procuraram ser leais às minúcias factuais.

Saudades dos produtores e dos chefes de reportagem - acho que fui leal com as pautas de vocês e (bem menos) com os horários!

Saudades de cada companheiro do apoio e da técnica - sempre leais.

Saudades especialmente, das grandes matérias no Globo Repórter - com aquela equipe de mestres (no Rio e em São Paulo) que aos poucos vai se desmontando, sem lealdade nem respeito com quem fez história (mas há bravos resistentes ainda).

Bem, pelo tom um tanto ácido dessa carta pode não parecer. Mas levo muita coisa boa daqui.

Perdi cabelos e ilusões. Mas, não a esperança.

Um beijo a todos.

Rodrigo Vianna."

terça-feira, outubro 31, 2006

Eleição favorece Faustão e prejudica Gugu

O domingo passado foi de más notícias para Gugu e boas para Faustão. Sem a cobertura das eleições, o SBT amargou uma audiência de 11 pontos durante o Domingo Legal. A média normal da atração é de 15. Enquanto isso, o Domingão do Faustão conseguiu aumentar o número de telespectadores, devido aos flashes sobre o segundo turno. A atração marcou 25 pontos, mas teve picos de 41 durante o quadro Dança no Gelo, período em que a contagem dos votos começou a ser divulgada.

Com informações do colunista Daniel Castro (Folha de S. Paulo)

O debate entre os presidenciáveis promovido na noite de ontem pela Globo (veja vídeos e análise no post anterior) alcançou média de audiência de 38 pontos, de acordo com medição preliminar do Ibope na Grande São Paulo. A marca é a maior registrada em confrontos nas eleições deste ano, superando o embate da própria emissora no 1º turno (31), e os encontros no 2º turno na Band (14), na Record (14) e no SBT (11).


Abertura do debate; Alckmin responde pergunta de eleitora indecisa sobre fornecimento de remédios

As perguntas e respostas continuaram basicamente as mesmas, mas o debate entre os presidenciáveis promovido há pouco pela Globo conseguiu dois feitos inéditos nesta campanha: deixar Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin a centímetros de distância e levar para a tevê situações do dia-a-dia da população.

Histórias como a da filha que se preocupa com o fornecimento de remédios aos pais e da mulher que, apesar de notar a queda na taxa de desemprego, sofre com a falta de oportunidades de trabalho para o irmão quebraram a atmosfera tradicionalmente gélida deste tipo de encontro.

A idéia de permitir a participação de eleitores indecisos — copiada do modelo americano de debate e já testada em confronto anterior da emissora — poderia render mais se não houvesse tamanhas restrições. As cerca de 400 perguntas formuladas pelos 80 selecionados tiveram que ser aprovadas pela produção (atitude correta), que definiu as 12 "melhores" sem explicar os critérios (atitude questionável).


Lula fala sobre saneamento e inundações

O cenário em formato de arena — outra característica importada dos Estados Unidos — também mexeu com a dinâmica do encontro, para o bem e para o mal. Se por um lado permitiu que os candidatos se encarassem (movimentação muito explorada por Lula e pouco por Alckmin), por outro deve ter obrigado as pessoas com labirintite a desligar o televisor.

Os presidenciáveis se moveram durante todo o tempo, fazendo com que o debate parecesse estar sendo transmitido direto de um navio. E a tão elogiada qualidade técnica da Globo só destacou o problema, com captação e edição de imagens que não passariam no extinto (?) controle de qualidade da emissora.

Mais um problema: o petista e o tucano não respeitaram a regra do confronto, que estabelecia que, após um deles responder uma pergunta feita por um eleitor, o outro deveria questioná-lo sobre o mesmo tema em 40 segundos. Ambos usaram o período para comentar a fala do adversário e sequer foram advertidos pelo mediador, William Bonner.

Agora resta descobrir se os 80 eleitores indecisos conseguiram definir os seus votos a partir do debate na Globo.


O petista trata da questão do desemprego


Alckmin fala sobre meio-ambiente


Lula comenta o problema da segurança


Considerações finais dos candidatos

Com o debate na Globo, o Tevê Aberta encerra sua cobertura da campanha eleitoral na tevê, iniciada com vídeos (8) das entrevistas dos quatro principais presidenciáveis ao Jornal Nacional. No 1º turno, postamos ainda imagens dos debates na Band (4) e na Globo (6); das sabatinas no Jornal da Globo (6), no Bom Dia Brasil (2) e no Jornal da Record (8). No 2º turno, disponibilizamos os vídeos de entrevista ao Jornal da Record (1); dos debates na Band (6), no SBT (7), na Record (6) e na Globo (6). E ainda publicamos notícias e análises de grande parte dos eventos citados. Ou seja, foram 54 vídeos (postados com muita rapidez, às vezes antes mesmo do fim da atração) que esperamos que tenham ajudado os leitores/eleitores (no Brasil ou fora dele) a definir os seus votos. Agradecemos a todos pelas visitas e continuem voltando e divulgando o Tevê Aberta!

A dois dias da eleição, a Globo promoverá o último debate entre os candidatos à presidência da República, logo depois da novela Páginas da Vida — por volta das 22h15m. Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin já confirmaram presença no encontro desta noite, mediado por William Bonner. O cenário do debate (foto ao lado, ainda em montagem) terá formato de arena, para abrigar 80 eleitores indecisos, selecionados pelo Ibope em todo o país. Destes, 12 farão perguntas nos três dos quatro blocos da atração.

Num monitor sensível ao toque (touchscreen), Lula e Alckmin apertarão números que correspondem aos 80 eleitores. O selecionado lerá a sua pergunta — genérica, ou seja, que serve para ambos, e pré-aprovada pela produção do debate — ao candidato que o escolheu e ouvirá a resposta dele. Em seguida, o adversário terá a chance de o questionar sobre o mesmo tema, com direito a tréplica. No último bloco, os concorrentes trocarão perguntas e ainda farão suas considerações finais.

terça-feira, outubro 24, 2006

Record alcança média de 16 pontos com debate

O debate entre os candidatos à presidência da República promovido ontem à noite pela Record (assista a alguns dos momentos mais importantes no post anterior) teve média de audiência de 16 pontos. O índice é maior do que o registrado nos debates da Band (14) e do SBT (11). Segundo medição preliminar do Ibope na Grande São Paulo, divulgada à imprensa pela emissora, o encontro entre Lula e Alckmin atingiu picos de 19 pontos.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Análise: Debate na Record mostra mais do mesmo


Abertura do debate e apresentação dos candidatos

As mesmas respostas para as mesmas perguntas: assim foi o debate entre os candidatos à presidência da República promovido na noite desta segunda-feira pela Record. Encerrado há poucos instantes, o confronto pecou por não trazer novidades à campanha eleitoral. Parte da responsabilidade por essa sensação de déjà vu pode ser creditada a Geraldo Alckmin e Luiz Inácio Lula da Silva, que repetiram os discursos proferidos nos encontros na Band e no SBT. A outra parte cabe à própria emissora, que não conseguiu — ou melhor, sequer tentou — renovar o modelo de debate, praticamente copiando a fórmula da Band (com um bloco de perguntas feitas por jornalistas). Resultado: exibiu um confronto inédito, mas com jeito de reprise.


Lula questiona Alckmin sobre cortes urgentes de gastos em São Paulo


A jornalista Adriana Araújo pede que Lula cite uma virtude de seu adversário


Alckmin comenta as pesquisas de intenção de voto, que apontam a vitória de Lula


O candidato do PSDB acusa o petista de divulgar mentiras


Considerações finais de Alckmin e Lula

Depois de desistir de promover um encontro entre os presidenciáveis no primeiro turno, temendo amargar uma baixa audiência por conta da ausência de Lula, a Record exibirá esta noite seu primeiro debate entre o candidato à reeleição e Geraldo Alckmin. O confronto será mediado pelo jornalista Celso Freitas e terá início às 22h30m.

O debate entre os dois candidatos à presidência da República que o SBT promoveu ontem à noite (veja vídeos no post anterior) garantiu à emissora audiência média de 11 pontos, com pico de 15, segundo medição preliminar do Ibope na Grande São Paulo. No período da atração (21h37m às 22h37m), a Globo registrou 46; a Record, 8,8; a Band, 2,9; e a RedeTV, 1,7.

Os números são menores aos obtidos pela Band em seu último confronto (assista aos vídeos aqui), realizado em 9 de outubro — média de 14 e picos de 20. A diferença de resultado pode ser explicada pela pouca divulgação da atração e pela falta de tradição do canal de Sílvio Santos na organização de encontros deste tipo.

Leia mais


Abertura do debate; candidatos apresentam suas propostas para a segurança (vídeo adicionado 40 minutos após o fim da atração)

Nem Lula, nem Alckmin: o destaque do debate entre os dois presidenciáveis promovido pelo SBT na noite de hoje foi... Ana Paula Padrão. A jornalista comandou o confronto misturando momentos de tranqüilidade e firmeza. Segura e experiente, a âncora do telejornal SBT Brasil conseguiu se comunicar devidamente com os telespectadores e ainda interveio — sem grosserias — quando ambos os candidatos teimaram em exceder o tempo estipulado para suas falas. Não à toa, Luiz Inácio Lula da Silva brincou após o fim do encontro: "Como toda mulher, ela nos controlou".

Outro acerto da produção do debate foi a criação de um bloco no qual os presidenciáveis deveriam apresentar propostas sobre quatro temas sorteados (agricultura, corrupção, saúde e segurança), em vez de trocarem perguntas. A idéia pode não ter sido integralmente posta em prática (por culpa dos candidatos, que fique claro), mas deve inspirar um novo modelo de confronto. Neste momento, Lula e Alckmin preferiram trocar farpas, criticando o modo de governar do PSDB e do PT, respectivamente.

Por conta das acusações de que foi agressivo no debate na Band, o tucano preferiu não partir diretamente para o ataque contra o petista. Já o presidente, manteve o mesmo comportamento apresentado no encontro anterior, inclusive repetindo o nervosismo no primeiro bloco (mexendo insistentemente no bolso do paletó). Apesar do clima mais ameno, houve espaço para uma forte oposição de idéias, deixando claro para o eleitor que os dois candidatos defendem projetos antagônicos para o Brasil. Um serviço que o SBT ajudou a prestar ao país.


Lula e Alckmin falam sobre a saúde no primeiro bloco


Crescimento é tema de pergunta de Alckmin a Lula no segundo bloco


Lula pergunta a Alckmin sobre privatização de empresas estatais


Alckmin volta a levantar a questão da saúde


Programa Luz para Todos gera discussão entre os candidatos


Considerações finais e encerramento do debate

Veja no arquivo do Tevê Aberta os vídeos de outros debates entre os presidenciáveis

Depois da Band, é a vez do SBT promover um debate entre os dois candidatos à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin. O confronto acontece hoje, das 21h às 22h30m. A responsabilidade de mediar o encontro, transmitido ao vivo, fica a cargo da jornalista Ana Paula Padrão. Devido à realização do debate, a emissora deixa de exibir nesta noite o telejornal SBT Brasil.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Gazeta cancela debate; SBT, Record e Globo mantêm

A Gazeta anunciou hoje o cancela-mento do debate que promoveria entre Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin. O confronto estava marcado para amanhã. Nota da emissora informa que Lula desistiu de participar devido a "problemas de agenda". Alckmin, por sua vez, recusou o convite "sem uma explicação para o fato", segundo a Gazeta.

O SBT, a Record e a Globo vão promover debates entre os presidenciáveis, nos dias 19, 23 e 27, respectivamente. Já a Cultura entrevista os candidatos no programa Roda Viva — a sabatina de Lula será exibida hoje, às 22h40m, e a de Alckmin pode ir ao ar no dia 23 (mesma data do confronto na Record). O Jornal da Record também realizará entrevistas — na quarta-feira com Lula e na sexta com Geraldo.

O debate entre os candidatos à presidência da República promovido ontem à noite pela Band (assista aos melhores momentos em post anterior) atingiu picos de 20 pontos de audiência, segundo prévia do Ibope divulgada pela emissora. Mas o canal de tevê não conseguiu a liderança no horário. No período em que foi ao ar (das 20h30m às 22h50m), o confronto entre Lula e Alckmin registrou média de 14 pontos na Grande São Paulo. A Globo teve 27; o SBT, 16; a Record, 6; e a RedeTV, 4.

O primeiro debate entre os presidenciáveis na Band, que não contou com a participação do petista, amargou média de 4. Já o embate promovido pela Globo, também no primeiro turno, deu 31.

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Quem assistiu aos flashes que antecederam o debate promovido pela Band entre os candidatos à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin, deve ter estranhado o desempenho de ambos no confronto. Na chegada, eles prometeram exposição de idéias e apresentação de programas de governo. Durante a atração, fizeram justamente o contrário: os dois partiram para o ataque, chegando a proferir ofensas pessoais.

Alckmin chamou Lula de mentiroso e arrogante. Lula insinuou que Alckmin tem saudade da época da tortura, em que se apurava um fato por meio de métodos condenáveis. Com o microfone cortado, o tucano chegou a gritar várias vezes e não respeitou o tempo para perguntas e respostas. Mediador do encontro, o jornalista Ricardo Boechat sequer tentou controlar os ânimos, permitindo a troca de insultos e outras infranções às regras do confronto.

A estratégia iniciada por Alckmin no debate na Band foi partir para o "tudo ou nada" e Lula se deixou envolver. Resultado: a 21 dias da eleição, a campanha na tevê começou a tomar uma forma que só pode trazer benefícios (leia-se votos) aos próprios concorrentes, e não à população. Os candidatos praticamente não apontaram o que mais interessa aos eleitores — suas propostas para o Brasil —, se concentrando em criticar um ao outro. Um jogo duro que contraria o anseio do povo por esclarecimento.


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O primeiro vídeo do debate foi disponibilizado pelo Tevê Aberta (em post anterior) às 21h55m, horas antes do fim do confronto.

A Band deu início há poucos instantes ao seu debate entre os dois candidatos à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin. O confronto é o primeiro entre os presidenciáveis, já que Lula não compareceu aos debates no primeiro turno. O jornalista Ricardo Boechat media o encontro, que terá cinco blocos.