sexta-feira, abril 18, 2008

Boris Casoy leva estilo ultrapassado à Band

Boris Casoy voltou esta semana à tevê, no comando do Jornal da Noite, da Band. Com ele, um gênero questionado: o jornalismo de opinião. Nos jornais impressos, editoriais ocupam colunas específicas e bem identificadas. Em outros telejornais, comentaristas apenas comentam — cabe a terceiros apresentarem reportagens da edição. Ao se dividir nas funções de âncora e comentarista, Boris confunde o público. Afinal, como distinguir informação de opinião quando ambas são lidas pela mesma figura?

Pior: no novo Jornal da Noite, da Band, as opiniões não estão apenas na boca de Boris, mas também nas reportagens. Conhecido por sua ligação com parte da direita, o jornalista vem claramente editorializando o conteúdo do telejornal. Na terça-feira, uma viagem sem qualquer repercussão do pré-candidato à Presidência pelo PSDB e governador de Minas Gerais, Aécio Neves, para reunião com diretores do Banco Mundial ganhou grande destaque. Boris ainda se alongou em elogios ao tucano. A Folha Online não deu sequer uma notinha sobre o encontro.

Por outro lado, na estréia, o anúncio extra-oficial de um novo megacampo de petróleo de boa notícia para o país virou uma notícia ruim: seria uma tentativa de abafar a "crise dos cartões corporativos". Em entrevista com o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, do PT, Boris questinou o que o deputado achava de um terceiro mandato para Lula. A resposta: "Eu sou contra terceiro mandato para qualquer governante, não somente para o Lula".

Além de ter editorializado o Jornal da Noite, Boris interrompeu a tentativa da Band de se levar ao ar um telejornal informal no fim da noite — com apresentadores de pé e tom de conversa. Retomou a bancada, o script. Trocou o novo pelo ultrapassado.

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7 comentários:

Rafael disse...

Pra começo de conversa e desde quando existe jornalismo sem opinião? ou qualuqur coisa sem opinão? Particularmente nao acredito mt em neutralidade, isenção...neutro só sabao em pó, e olhe lá. A própria escolha de que matérias irão ao ar, ou serãi impressas no espaço do jornal já revela uma tendencia. Agora claro, há também quando a coisa é deslavavada, confusa e grosseiramente tendencioso. Acredito que todo mundo que se preze a ler/assistir jornais deve estar ciente que aquilo lá é feito por outros seres humanos... e por mais que se tente, uma abordagem 100% eh impossivel. O mais honesto, acredito, é que o jornalista assuma suas tendencias e que tente mostrar todos os angulos de visçao do tema...mas claro, mesmo que ele nao queira, involuntariamente vai levar um pouquinho pro seu lado. Enfim, ninguem é vazio, nem o jornalista nem o leitor, em ambos a informação ao chegar encontrará todo um universo de valores, habitos, cultura etc etc que vão fazer com que ele assimile a informação desta ou daquela maneira.

Rafael disse...

ops....faltou uma palavra: quis dizer "uma abordagem 100% fria é impossivel"

daniel abrao disse...

nao gostei do novo jornal da noite...prefira o de antes...mas q boris faz falta na TV isso faz....acho q no horário do almoço cairia melhor o jornal do boris e deixava o da noite do mesmo jeito neh band...e eu num acho ultrapassado esse tipo de jornal...no SBT BRASIL o nascimento tbm dah as suas opinioes em 2 ou 3 reportagens...mais eh um comentario rapido de 15 segundos no maximo neh!!!

daniel abrao disse...

entrem no meu blog....

wwwsbtnews.blogspot.com

comentem...vlw

SBT NEWS

Teve Aberta disse...

A discussão é boa. Rafael, é claro que uma abordagem 100% imparcial é impossível. Palavra de jornalista. Mas o que dizer de uma abordagem 0% imparcial?

Ale Rocha disse...

Rafael, não existem uma abordagem 100% imparcial. Isso é uma bobagem que a imprensa brasileira tenta sustentar para se mostrar democrática.

No entanto, se é para tomar partido, que se faça isso abertamente. Por exemplo: jornais norte-americanos anunciam em editoriais quem apóiam para a corrida presidencial de forma natural.

Aqui no Brasil, não. Figurões da imprensa, conglomerados midiátivos adoram bater no peito e dizer "somos imparciais" quando todos sabemos que não são.

Não há mal nenhum em ser de esquerda ou de direita. O que é errado é enganar - ou tentar enganar - quem está do outro lado.

Adriano Moneta disse...

Ultrapassado por quê?????????
Qual veículo não expressa a sua opinião até mesmo no lead de uma reportagem?